Aleitamento materno
Breast-feeding: A Commentary by the ESPGHAN Committee on Nutrition (Aleitamento materno: um comentário do comitê de nutrição do ESPGHAN).
Agostoni C, Braegger C, Decsi T, Kolacek S, Koletzko B, Michaelsen KF, Mihatsch W, Moreno LA, Puntis J, Shamir R, Szajewska H, Turck D, van Goudoever J; ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr. 2009; 49: 112-125.
Abstract:
This medical position article by the European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition summarises the current status of breast-feeding practice, the present knowledge on the composition of human milk, advisable duration of exclusive and partial breast-feeding, growth of the breast-fed infant, health benefits associated with breast-feeding, nutritional supplementation for breast-fed infants, and contraindications to breast-feeding.
This article emphasises the important role of paediatricians in the implementation of health policies devised to promote breast-feeding. The European Society for Paediatric Gastroenterology, Hepatology, and Nutrition Committee on Nutrition recognises breast-feeding as the natural and advisable way of supporting the healthy growth and development of young children. This article delineates the health benefits of breast-feeding, reduced risk of infectious diarrhoea and acute otitis media being the best documented. Exclusive breast-feeding for around 6 months is a desirable goal, but partial breast-feeding as well as breast-feeding for shorter periods of time are also valuable. Continuation of breast-feeding after the introduction of complementary feeding is encouraged as long as mutually desired by mother and child. The role of health care workers, including paediatricians, is to protect, promote, and support breast-feeding. Health care workers should be trained in breast-feeding issues and counselling, and they should encourage practices that do not undermine breast-feeding. Societal standards and legal regulations that facilitate breast-feeding should be promoted, such as providing maternity leave for at least 6 months and protecting working mothers.
Comentários:
Este artigo elaborado pela Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica (ESPGHAN) resume a situação atual em relação ao aleitamento materno, conhecimento da composição do leite humano, duração recomendável para o aleitamento materno exclusivo e parcial, crescimento da criança amamentada, benefícios à saúde associados com o aleitamento materno, suplementação para a criança amamentada e contra-indicações do aleitamento materno. Também define o papel dos pediatras na implementação das políticas de saúde que promovem o aleitamento materno. Este posicionamento está focado nas crianças nascidas a termo da Europa.
Situação atual: os dados sobre a prevalência de aleitamento materno em 29 países da Europa são muito heterogêneos, entretanto sabe-se que a prática do aleitamento materno está muito além do recomendado. Há espaço para a adoção de políticas e práticas para melhorar a proteção, promoção e apoio ao aleitamento e o pediatra deveria exercer um papel ativo neste processo.
Composição do leite humano: o leite humano tem composição variável durante o dia e durante o processo de lactação. A dieta materna exerce uma influência significante na produção e/ou composição do leite. Em casos de desnutrição materna, é necessária a suplementação da dieta para aumentar a produção de leite e a duração do aleitamento materno exclusivo. Se a mãe seguir dieta vegan, o comitê recomenda suplementação com vitamina B12 para a criança ou a lactante.
Recomendações para a duração do aleitamento materno: o comitê recomenda aleitamento materno predominante ou exclusivo até cerca de 6 meses. A introdução de alimentos complementares não deve ser realizada antes das 17 semanas ou após 26 semanas de vida. Para países com baixa prevalência de doenças infecciosas, como ocorre na Europa, a duração ótima do aleitamento materno em relação a efeitos à saúde após a introdução dos alimentos complementares é incerta devido à falta de dados. Portanto, o comitê recomenda que, na Europa, o aleitamento deva ser continuado pela mãe e criança pelo tempo que for mutuamente desejado e deva ser baseado primariamente em considerações do que em efeitos à saúde.
Crescimento de crianças amamentadas: ao comparar com crianças alimentadas com fórmula, as crianças amamentadas ganham menos peso para idade do terceiro mês ao décimo segundo mês de vida, com recuperação parcial ao final do segundo ano de vida. As novas curvas de crescimento da Organização Mundial da Saúde diminuem o risco de realizar uma avaliação incorreta de crianças amamentadas e consequentemente realizar suplementação erroneamente ou cessar o aleitamento materno.
Questões metodológicas para avaliar os benefícios à saúde associados ao aleitamento materno: há limitação na interpretação dos estudos, pois a maioria deles é observacional e a decisão da mãe em amamentar é influenciada pelo nível de educação, fatores sócio-econômicos e do estilo de vida. Por razões éticas, não é possível realizar estudos randomizados com crianças saudáveis comparando aleitamento materno e alimentação com fórmula. Outra questão importante está na interpretação de estudos de coorte antigos, já que a composição das fórmulas infantis foi sendo modificada nos últimos 30 anos.
Benefícios à saúde associados ao aleitamento: o efeito preventivo de infecções é o mais importante, com evidências bem documentadas de prevenção de diarréia e otite média aguda. Há evidências de efeitos do aleitamento na pressão arterial e níveis de colesterol, entretanto, ainda não é possível estabelecer um efeito preventivo na mortalidade e morbidade por doença cardiovascular. O aleitamento materno parece diminuir o risco de sobrepeso e obesidade, possivelmente pela permissão do autocontrole de ingestão, pelo menor conteúdo de proteína e energia e menor velocidade de crescimento durante o primeiro ano de vida quando comparado com crianças alimentadas com fórmula infantil. Ainda é necessário esclarecer os benefícios associados à proteção contra a obesidade e o diabetes tipo 2. Para prevenção de alergias, os resultados de estudos ainda são controversos, e acredita-se que a recomendação não deva ser diferente da população em geral (aleitamento materno exclusivo por 6 meses). O aleitamento parece reduzir a incidência de diabetes tipo 1 e doença celíaca, neste último, se o glúten for introduzido após os 4 meses e antes dos 7 meses, enquanto a criança é amamentada.
Neurodesenvolvimento: as evidências disponíveis sugerem uma vantagem pequena, mas considerável no desenvolvimento cognitivo e que persiste até a vida adulta. O benefício mais importante parece estar relacionado ao conteúdo de ácido docosahexaenóico, o qual é importante para o desenvolvimento cerebral e da retina.
Suplementação da criança amamentada: para as crianças europeias, é recomendado a suplementação de vitamina D, independente do estado materno de vitamina D e não é aconselhável expor a criança ao sol. A suplementação de vitamina K deve ser realizada nas primeiras semanas ou meses de vida.
Contra-indicações ao aleitamento: existem poucas contra-indicações, sendo a principal a infecção materna pelo vírus HIV. Outras contra-indicações são: infecção materna pelo vírus HTLV (tipo 1 ou 2), galactosemia clássica, recebimento de isótopos radioativos ou exposição a material radioativo e medicamentos específicos.
Em conclusão, os profissionais de saúde devem proteger, promover e apoiar o aleitamento materno, por meio de treinamentos sobre as práticas do aleitamento materno, para melhor aconselhamento às mães. Os padrões sociais e as leis que facilitam o aleitamento materno devem ser promovidas, como a licença-maternidade até os 6 meses a apoio à mulher que possui emprego.
| topo |