Use of soy protein-based formulas in infant feeding (Uso de formulas à base de proteína de soja na alimentação de lactentes).
Bhatia J, Greer F, Committee on Nutrition. Pediatrics 2008; 121: 1062-1068.
Abstract:
Soy protein-based formulas have been available for almost 100 years. Since the first use of soy formula as a milk substitute for an infant unable to tolerate a cow milk protein-based formula, the formulation has changed to the current soy protein isolate. Despite very limited indications for its use, soy protein-based formulas in the United States may account for nearly 25% of the formula market.
This report reviews the limited indications and contraindications of soy formulas. It will also review the potential harmful effects of soy protein-based formulas and the phytoestrogens contained in these formulas.
Comentários:
A Academia Americana de Pediatria (AAP) recomenda o leite humano como fonte ideal de nutrientes para o lactente. Entretanto, nos Estados Unidos a taxa de aleitamento materno é baixa, com uso de algum tipo de fórmula infantil desde os 2 meses de idade na maioria dos casos. As fórmulas à base de soja representam aproximadamente 20% das fórmulas infantis vendidas. Este artigo tem por objetivo atualizar a revisão de 1998 sobre fórmulas à base de soja e discutir sobre o conteúdo de fitoestrógenos destas fórmulas.
As fórmulas à base de soja têm como fonte protéica a proteína isolada, acrescida de metionina, carnitina e taurina. Devido ao conteúdo de fitato (1,5%) e sua ligação com o fósforo, as fórmulas são acrescidas de cálcio e fósforo para manter uma proporção adequada destes nutrientes (1:1 a 2:1) e garantir mineralização óssea, concentração sérica de cálcio, fósforo e fosfatase alcalina equivalentes à das crianças alimentadas com fórmulas à base de leite de vaca. Apesar disto, verificou-se alteração de mineralização óssea em prematuros, sendo que a fórmula à base de soja não é indicada para estes pacientes.
O conteúdo de fitoestrógenos das fórmulas de soja tem sido discutido pelo seu potencial efeito negativo no desenvolvimento sexual e reprodutivo, desenvolvimento neurocomportamental, função imune e função da tireóide. Entretanto, embora tenham sido realizados inúmeros estudos em animais e alguns estudos em humanos adultos expostos à soja durante a infância, ainda não há evidências conclusivas de que o consumo de fitoestrógenos possa afetar o desenvolvimento humano a função reprodutiva ou endócrina.
O conteúdo de alumínio destas fórmulas também é preocupante, pois é muito superior ao do leite materno (600 a 1300ng/mL vs 4 a 65 ng/mL) e pode ser tóxico em doses altas, principalmente em prematuros com função renal reduzida ou em crianças com falência renal.
As fórmulas à base de soja estão indicadas apenas em casos específicos como: galactosemia, deficiência hereditária de lactase (muito rara) e familiares que desejam evitar a proteína animal (vegetarianismo). Nos casos de gastroenterite aguda, as fórmulas à base de soja poderiam ser indicadas apenas quando há intolerância secundária à lactose. Não há evidências de que o uso de fórmulas de soja previna ou melhore as cólicas ou desconfortos infantis.
Para as crianças com alergia à proteína do leite de vaca, deve-se considerar o uso de fórmula com proteína extensamente hidrolisada, devido ao risco de alergia à proteína da soja em 10 a 14% dos casos. Os pacientes que apresentam enteropatia induzida pelo leite de vaca ou enterocolite têm maior risco de alergia à soja, devendo receber fórmula à base de proteína extensamente hidrolisada ou de aminoácidos.
O uso de fórmula à base de soja para prevenção de doenças atópicas em crianças de alto risco ou saudáveis não é efetivo e, portanto, não está indicado.
Esta revisão demonstra que houve avanço na composição nutricional das fórmulas de soja, as quais são equivalentes às fórmulas à base de leite de vaca no que se refere à adequação nutricional e promoção do crescimento e desenvolvimento adequados. Entretanto, devido a seus potenciais efeitos adversos, estas fórmulas não devem ser utilizadas indiscriminadamente pela população. Outros estudos são necessários para elucidar a segurança do uso das fórmulas de soja em lactentes.
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