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Atualização > Artigos Comentados > Breast-feeding duration and infant atopic manifestations, by maternal allergic status, in the first 2 years of life (KOALA Study)

Breast-feeding duration and infant atopic manifestations, by maternal allergic status, in the first 2 years of life (KOALA Study) (Duração do aleitamento materno e manifestações atópicas do lactente em relação ao estado alérgico materno, nos primeiros 2 anos de vida (estudo KOALA).

Snijders BEP, Thijs C, Dagnelie PC, Stelma FF, Mommers M, Kummeling I, Penders J, Ree RV, Brandt Pavd. J Pediatr 2007;151: 347-51.

Abstract:
Objective: To investigate the potential effect of modification by maternal allergic status on the relationship between breast-feeding duration and infant atopic manifestations in the first 2 years of life. Study design: Data from 2705 infants of the KOALA Birth Cohort Study (The Netherlands) were analyzed. The data were collected by repeated questionnaires at 34 weeks of gestation and 3, 7, 12, and 24 months postpartum. Total and specific immunoglobulin E measurements were performed on venous blood samples collected during home visits at age 2 years. Relationships were analyzed using logistic regression analyses.

Results: Longer duration of breast-feeding was associated with a lower risk for eczema in infants of mothers without allergy or asthma (Ptrend = .01) and slightly lower risk in those of mothers with allergy but no asthma (Ptrend = .14). There was no such association for asthmatic mothers (Ptrend = .87). Longer breast-feeding duration decreased the risk of recurrent wheeze independent of maternal allergy (Ptrend = .02) or asthma status (Ptrend = .06).

Conclusions: Our findings show that the relationship between breast-feeding and infant eczema in the first 2 years of life is modified by maternal allergic status. The protective effect of breast-feeding on recurrent wheeze may be associated with protection against respiratory infections.

Comentários:
Este estudo avaliou se o estado alérgico materno modifica a relação entre duração do aleitamento materno e desenvolvimento de manifestações atópicas (eczema, chiado recorrente) nos primeiros dois anos de idade. Além disso, verificou-se a relação entre duração do aleitamento materno e aumento dos níveis de IgE total e sensibilização alérgica aos 2 anos em crianças de mães com e sem níveis de IgE aumentados ou sensibilizadas. Foram analisados os dados de 2705 lactentes do estudo de coorte de nascimentos KOALA, da Holanda, entre 2000 e 2002.

Informações sobre aleitamento, outros determinantes e manifestações atópicas foram coletadas por meio de questionários repetidos na 34a. semana de gestação e aos 3, 7, 12 e 24 meses pós-parto. A duração do aleitamento materno foi categorizada em: não amamentado, 0 a 3 meses, 4 a 6 meses, 7 a 9 meses e > 9 meses. A história materna de alergia foi dividida em 3 estratos: (1) ausência de alergia ou asma; (2) alergia, sem asma, definida como relato de diagnóstico médico de eczema, alergia para ácaro/animais ou rinoconjuntivite alérgica; e (3) asma, definida como relato da mãe ou diagnóstico médico de asma, sem considerar outras doenças alérgicas. Os pais foram questionados quanto às manifestações atópicas prévias de eczema aos 7, 12 e 24 meses. Diagnóstico de dermatite atópica foi realizado de acordo com critérios do Reino Unido, em visita domiciliar aos 2 anos. Chiado recorrente foi definido como ocorrência de 4 ou mais episódios de chiado entre 0 e 7 meses, 7 e 12 meses ou 13 e 24 meses. Medidas de imunoglobulinas totais e específicas foram realizadas a partir de amostras de sangue venoso coletadas das mães (entre a 34ª. e 36ª. semana de gestação) e das crianças (aos 2 anos). Considerou-se IgE total alta se > 100UI/mL (para mães) e >10UI/mL (para lactentes). A relação entre aleitamento e manifestações atópicas foi analisada pela análise de regressão logística.

No geral, o aleitamento materno prolongado demonstrou tendência estatisticamente significante para o menor risco de eczema (Ptrend =.03; ajustado para os fatores de confusão). O prolongamento do aleitamento materno foi associado com menor risco de eczema em lactentes de mães sem alergia ou asma (Ptrend =.01) e leve diminuição do risco em mães com alergia, mas sem asma (Ptrend =.14). Não houve associação para mães asmáticas (Ptrend =.87). Maior duração do aleitamento diminuiu o risco de chiado recorrente independente da alergia materna (Ptrend =.02) ou estado de asma (Ptrend =.06). Não houve associação entre duração do aleitamento e dermatite atópica, IgE total elevada ou sensibilização.

Os resultados demonstram que a relação entre aleitamento e eczema no lactente nos dois primeiros anos de vida é modificada pelo estado alérgico materno. Estes achados devem ser interpretados com cautela porque houve diferença significante apenas nos casos de mães do estrato 1 que amamentaram por mais de 9 meses. Além disso, mães sem alergia podem ter supervalorizado os sintomas de eczema. O efeito protetor do aleitamento no chiado recorrente pode estar associado com proteção contra infecções respiratórias.

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