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Atualização > Artigos Comentados > The efficacy of amino acid-based formulas in relieving the symptoms of cow’s milk allergy: a systematic review (A eficácia das formulas a base de aminoácidos em aliviar os sintomas de alergia a leite de vaca: uma revisão sistemática)

The efficacy of amino acid-based formulas in relieving the symptoms of cow’s milk allergy: a systematic review (A eficácia das formulas a base de aminoácidos em aliviar os sintomas de alergia a leite de vaca: uma revisão sistemática).

Hill DJ, Murch SH, Rafferty K, Wallis P, Green CJ. Clin Exp Allergy 2007; 37: 808–822.

Abstract:
The aim of this systematic review was to evaluate the efficacy of amino acid-based formulas (AAF) in patients with cow’s milk allergy (CMA). Studies were identified using electronic databases and bibliography searches. Subjects eligible for inclusion were patients of any age with CMA or symptoms suggestive of it. Comparisons of interest were AAF vs. extensively hydrolysed formula (eHF), AAF vs. soy-based formula (SF) and AAF vs. cow’s milk or cow’s milk-based formula. Outcomes of interest were gastrointestinal (GI), dermatological, respiratory and behavioural symptoms as well as growth. A total of 20 studies [three head-to-head randomized controlled trials (RCTs), three cross-over challenge RCTs, seven clinical trials (CTs) and seven case reports (CRs)] were included in the review. In infants with confirmed or suspected CMA, the use of an AAF was shown to be safe and efficacious. Findings from RCT comparisons of AAF with eHF showed that both formulas are equally efficacious at relieving the symptoms of CMA in confirmed or suspected cases. However, infants in specific subgroups (e.g. non-IgE mediated food-induced gastro-enterocolitisproctitis syndromes with failure to thrive, severe atopic eczema, or with symptoms during exclusive breastfeeding) were more likely overall to benefit from AAF, as intolerance to eHF may occur. In such cases, symptoms persisting despite eHF feeding usually remit on AAF, and catch-up growth may be seen. Meta-analysis of the findings was not possible due to lack of homogenous reporting of outcomes in the original trials. This systematic review shows clinical benefit from use of AAF in both sympˇtoms and growth in infants and children with CMA who fail to tolerate eHF. Further studies are required to determine the relative medical or economic value of initial treatment with AAF in infants at high risk of eHF intolerance.

Comentários:
Esta revisão sistemática teve como objetivos comparar a eficácia das fórmulas à base de aminoácidos (FAA) com as fórmulas extensamente hidrolisadas (FEH), à base de soja (FS) e à base de leite de vaca (FLV) para o tratamento da alergia ao leite de vaca (ALV).

A revisão foi realizada de acordo com as recomendações publicadas. Foram incluídas crianças com 2 dias de vida até 12 anos com alergia ao leite de vaca (ALV) ou com sintomas sugestivos. As comparações de interesse foram: FAA vs FEH, FAA vs FS e FAA vs leite de vaca (LV) ou FLV. Os resultados de interesse foram sintomas gastrointestinais (GI), dermatológicos, respiratórios e comportamentais, além do crescimento.

Foram incluídos 20 estudos: três ensaios randomizados controlados (RCTs) “head to head”, três ensaios RCTs cruzados com provocação, sete ensaios clínicos (CTs) e sete estudos observacionais - coorte ou relato de casos (CRs).

Quando comparado o uso de FAA com FEH, verificou-se que ambas as fórmulas são eficazes em aliviar os sintomas da ALV. Apesar das fórmulas serem nutricionalmente completas, os RCTs demonstram diferença quanto ao crescimento linear, favorecendo as FAA em detrimento das FEH. Os autores afirmam que estas evidências são questionáveis, já que há dúvidas quanto à coleta de dados antropométricos destes estudos.

Houve falta de estudos comparando diretamente FAA vs LV/FLV ou FS. No primeiro caso, devido a questões éticas do uso de proteína do LV em crianças com ALV e no segundo caso provavelmente devido a consensos não recomendando o uso de FS para tratamento da ALV.

Os CTs identificaram um grupo importante de lactentes com suspeita de ALV e intolerância à FEH, que responderam favoravelmente às FAA (alto risco de intolerância à FEH). Neste grupo, geralmente estão os casos mais graves e mais propensos a desenvolver sintomas durante o aleitamento exclusivo, apresentar alergia a múltiplos alimentos, eczema atópico grave, esofagite de refluxo e síndrome de entero-colite-proctite induzida por alimentos com déficit de crescimento. Os autores sugerem que a gravidade dos sintomas deve ser um determinante importante.

São necessários mais estudos para se verificar o impacto do uso prolongado de FAA, já que estudos em animais sugerem que a ausência de proteínas intactas da dieta pode prejudicar a maturação imunológica e o desenvolvimento da tolerância.

Apesar das limitações metodológicas da maioria dos estudos incluídos nesta revisão e da falta de dados homogêneos para ser elaborada uma metanálise, esta revisão sistemática sugere que pacientes com ALV tolerantes à FEH não obtêm benefícios com o uso de FAA. Entretanto, a FAA é importante nos casos de intolerância à FEH.

Ao escolher uma fórmula para tratamento da ALV, deve-se contrabalançar o custo desta com os custos de hospitalização, investigação e aumento da morbidade naqueles em que não se consegue instituir um tratamento efetivo. Os autores sugerem que uma possível linha de tratamento para as crianças de alto risco de intolerância à FEH, pode ser o uso de FAA por algumas semanas para estabilização e posterior transição para uma FEH após provocação. Estudos futuros são necessários para investigar se esta linha de tratamento promove redução potencial da morbidade e do custo com hospitalização e/ou investigação.

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