MATERNAL FISH DURING PREGNANCY AND ATOPY AND ASTHMA IN INFANCY (INGESTÃO MATERNA DE PEIXE DURANTE A GESTAÇÃO E ATOPIA E ASMA NA INFÂNCIA)
Romieu I, Torrent M, Garcia-Esteban R, Ferrer C, Ribas-Fitó N, Antó JM, Sunyer J. Clinical and Experimental Allergy 2007; 37(4): 518–525.
Abstract:
Background: Dietary intake of n-3 fatty acids during pregnancy could play a role in the risk of asthma and atopy in the offspring.
Methods:
Using data from a cohort of women (n=462) enrolled during pregnancy and whose offspring were followed up to 6 years, we evaluated the impact of fish consumption during pregnancy on the incidence of atopy and asthma. Dietary intake was assessed by food frequency questionnaire.
Results:
Thirty-four percent of infants had a medical diagnosis of eczema at age 1 year, 14.3% of the children were atopic, and 5.7% had atopic wheeze at age 6 years. After adjusting for potential confounding factors, fish intake during pregnancy was protective against the risk of eczema at age 1 year, a positive SPT for house dust mite at age 6 years and atopic wheeze at age 6 years (OR = 0.73, 95% CI 0.55–0.98, OR = 0.68, 95% CI 0.46–1.01 and OR = 0.55, 95% CI 0.31–0.96, respectively). For an increase in fish intake from once per week to 2.5 times per week, the risk of eczema at age 1 year decreased by 37%, and the risk of positive SPT at age 6 years by 35%. Stratification by breastfeeding showed that fish intake was significantly related to a decrease risk in persistent wheeze among non-breastfed children. No protective effect was observed among breastfed children.
Conclusion:
Our data suggest a protective effect of fish intake during pregnancy on the risk of atopy-related outcomes.
Comentários:
Há evidências crescentes de que os ácidos graxos apresentam propriedades antiinflamatórias e podem modular a resposta imune. A ingestão dietética destes nutrientes durante a gestação poderia influenciar o risco de asma e atopia no recém-nascido.
Para determinar o impacto do consumo de ácidos graxos ômega-3 durante a gestação na incidência de atopia e asma na infância, os pesquisadores utilizaram dados de uma coorte de 462 gestantes, cujos recém-nascidos foram acompanhados até os 6.5 anos. Os desfechos de interesse incluíram: diagnóstico médico de eczema com 1 ano (relatado pelos pais), atopia com 4 anos baseado nos níveis de IgE no soro, níveis específicos de IgE para ácaros, atopia com 6 anos baseado na resposta ao “skin prick test” (SPT), SPT positivo para ácaros, chiado persistente aos 6 anos (chiado com 6 anos e em qualquer ano anterior) e chiado atópico aos 6 anos (definido como atopia e chiado aos 6 anos). A ingestão dietética foi avaliada por questionário de freqüência alimentar (42 itens). Foram considerados possíveis fatores de confusão: sexo, idade materna, atopia materna e paterna, asma materna e paterna, classe social materna e paterna, fumo durante a gestação, IMC antes da gestação, idade gestacional, peso de nascimento, paridade, aleitamento, presença de animais de estimação, IMC com 6.5 anos, diclorodifenildicloroetileno no sangue do cordão, e consumo de peixe pela criança aos 4 anos.
Trinta e quatro por cento dos lactentes apresentou diagnóstico médico de eczema com 1 ano; 14.3% das crianças apresentaram atopia e 5.7% apresentaram chiado atópico aos 6 anos.
A ingestão de peixe, no mínimo uma vez por semana, foi relatada por 85.8% das mulheres, entre as quais 39.7% relataram ingestão de peixe uma vez por semana, 38.2% de uma a duas vezes por semana e 22.1% mais de duas vezes por semana. A maioria das mães (59.4%) relatou ingerir peixes não gordurosos (que contêm menores quantidades de ômega-3 do que os gordurosos). É importante observar que a freqüência de consumo de peixes na população estudada (em média 1.5 vezes por semana) provavelmente é maior do que a encontrada em nossa população de regiões não litorâneas.
Após ajuste para os potenciais fatores de confusão, a ingestão de peixe durante a gestação foi relacionada com eczema com um ano de idade e atopia, sensibilidade a ácaros e chiado atópico aos 6 anos. Para um aumento na ingestão de peixe de uma vez por semana a 2.5 vezes por semana, o risco de eczema com 1 ano diminuiu em 37% e aos 6 anos houve diminuição do risco atopia em 35.1%, do risco de sensibilidade a ácaros em 47.1% e do risco de chiado atópico em 82%. Estratificação por aleitamento materno demonstrou que a ingestão de peixe esteve significantemente relacionada com uma diminuição do risco de chiado persistente entre crianças não amamentadas.
Os resultados deste estudo sugerem que os ácidos graxos ômega-3 provavelmente podem modular o risco de atopia nas crianças. São necessários mais estudos para esclarecer os mecanismos deste efeito protetor e avaliar a melhor época para modulação do sistema imune. O estímulo para o consumo de peixes nas gestantes brasileiras pode ser interessante.
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