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Atualização > Artigos Comentados > Food Anaphylasis (Anafilaxia por alimentos)

FOOD ANAPHYLASIS (ANAFILAXIA POR ALIMENTOS)

Wang J, Sampson HA. Clin Exp Allergy 2007; 37: 651-60.

Abstract:
Anaphylaxis is a life-threatening allergic reaction, and food is one of the most common responsible allergens in the outpatient setting. The prevalence of food-induced anaphylaxis has been steadily rising. Education regarding food allergen avoidance is crucial as most of the fatal reactions occurred in those with known food allergies. The lack of a consensus definition for anaphylaxis has made its diagnosis difficult. Symptoms affect multiple organ systems and include pruritus, urticaria, angioedema, vomiting, diarrhoea, abdominal cramps, respiratory difficulty, wheezing, hypotension, and shock. Prompt recognition of anaphylaxis is essential as delayed treatment has been associated with fatalities. Although epinephrine is accepted as the treatment of choice, timely administration does not always occur, partly due to a lack of awareness of the diagnostic criteria. Several novel tools are currently being investigated, which will potentially aid in the diagnosis and treatment of food-induced anaphylaxis.

Comentários:
Anafilaxia é uma reação alérgica grave, que se estabelece rapidamente e apresenta risco de vida. De um terço a metade das reações anafiláticas que chegam ao pronto socorro na América do Norte, Europa, Ásia e Austrália são de causa alimentar, sendo que os alimentos mais comumente relacionados são: amendoins, castanhas, peixes e frutos do mar. Educação em relação à exclusão do alérgeno alimentar é fundamental, já que relatos da literatura demonstram que a maioria das reações fatais ocorreu naqueles cientes da sua alergia.

A anafilaxia engloba uma série de sintomas e pode afetar múltiplos sistemas (Tabela 1).

Tabela 1: Manifestações clínicas da anafilaxia

Cutânea Urticária, angioedema, prurido, rubor, "rash" morbiliforme
Respiratório Via aérea superior - rinorréia, congestão, espirro, estridor, rouquidãoVia aérea inferior - tosse, chiado, dispnéia, sensação de aperto no peito, cianose
Cardiovascular Taquicardia, arritmia, síncope, hipotensão, choque
Gastrointestinal Prurido ou edema dos lábios, língua, palato, sabor metálico na boca, náusea, vômito, cólica abdominal, diarréia
Neurológico Ansiedade, dor de cabeça, crise epiléptica, síncope, perda de consciência
Ocular Prurido, hiperemia conjuntival, lacrimejamento

Para melhor identificação de uma reação anafilática, um grupo de especialistas estabeleceu os critérios diagnósticos para permitir uma identificação rápida dos indivíduos afetados (Tabela 2). O diagnóstico precoce é essencial, pois a demora no tratamento tem sido associada com fatalidades.

Tabela 2: Critérios diagnósticos para anafilaxia

Anafilaxia é muito provável quando qualquer um dos três critérios são preenchidos
1. (80% dos casos) Estabelecimento agudo de uma enfermidade (minutos a algumas horas) com envolvimento da pele, mucosa ou ambos (ex.: urticária generalizada, prurido ou rubor, inchaço nos lábios-língua-úvula
E pelo mesno um dos seguintes
a. Comprometimento respiratório (ex.: dispnéia, chiado-broncoespasmo, estridor, pressão expiratória máxima reduzida, hipoxemia)
b. Queda da pressão arterial ou sintomas associados de falência de órgãos [ex.: hipotonia (colapso), síncope, incontinência]
2. (20% dos casos) Dois ou mais dos seguintes critérios rapidamente após a exposição de um alérgeno provável para o paciente (minutos ou algumas horas)
a. Envolvimento da pele-mucosa (ex.: urticária generalizada, coceira-rubor, inchaço nos lábios- língua-úvula)
b. Comprometimento respiratório (ex.: dispnéia, chiado-broncoespasmo, estridor, pressão expiratória máxima reduzida, hipoxemia)
c. Queda da pressão arterial ou sintomas associados de falência de órgãos [ex.: hipotonia (colapso), síncope, incontinência]
d. Sintomas gatrointestinais persistentes (ex.: cólicas abdominais dolorosas, vômitos)
3. (casos raros) Queda da pressão arterial após a exposição a um alérgeno conhecido pelo paciente (minutos a algumas horas)
a. Lactentes e crianças: pressão arterial sistólica baixa (< 70mmHg entre 1 mês e 1 ano; <[70mmHg+(2x idade)] entre 1 e 10 anos; < 90mmHg entre 11 e 17 anos) ou queda maior que 30% na pressão sistólica
b. Adultos: pressão sistólica < 90mmHg ou queda maior do que 30% da pressão normal do paciente

O tratamento inicial inclui o uso de epinefrina intramuscular, podendo ser necessário epinefrina intravenosa. Dependendo do tipo de órgão afetado, pode-se utilizar antihistamínico, oxigênio, beta-agonista inalável e fluidos intravenosos. O paciente deve ser transportado imediatamente para um pronto-socorro e ficar em observação para uma possível reação bifásica (recorrência da reação anafilática). Na alta, o paciente deve ser orientado a utilizar epinefrina auto-injetável em casos de exposição acidental ao alérgeno e ser encaminhado a um alergista. É fundamental a educação do paciente quanto aos cuidados preventivos (leitura de rótulos, "contaminação" de utensílios, ingredientes ocultos etc).

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