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Atualização > Artigos Comentados > Dieta materna durante a gestação

MATERNAL DIET DURING PREGNANCY IN RELATION TO ECZEMA AND ALLERGIC SENSITIZATION IN THE OFFSRPING AT 2 Y OF AGE
Dieta materna durante a gestação em relação ao eczema e sensibilização alérgica no filho aos 2 anos de idade
Sausenthaler S, Koletzko S, Schaaf B, Lehmann I, Borte M, Herbarth O, Berg A von, Wichmann H-E, Heinrich J. Am J Clin Nutr 2007; 85: 530-7.

Abstract
Background: Maternal diet during pregnancy might be one of the factors that influences fetal immune responses associated with childhood allergy.

Objective: We analyzed the association between maternal diet during the last 4 wk of pregnancy and allergic sensitization and eczema in the offspring at 2 y of age.

Design: Data from 2641 children at 2 y of age were analyzed within a German prospective birth cohort study (LISA). Maternal diet during the last 4 wk of pregnancy was assessed with a semi quantitative food-frequency questionnaire, which was administered shortly after childbirth.

Results: High maternal intake of margarine [adjusted odds ratio (aOR): 1.49; 95%CI: 1.08, 2.04] and vegetable oils (aOR: 1.48;95% CI: 1.14, 1.91) during the last 4 wk of pregnancy was positively associated and high maternal fish intake (aOR: 0.75; 95% CI: 0.57, 0.98) was inversely associated with eczema during the first 2 y in the offspring. High celery (aOR: 1.85; 95% CI: 1.18, 2.89) and citrus fruit (aOR: 1.73; 95% CI: 1.18, 2.53) intakes increased the risk of sensitization against food allergens. In turn, sensitization against inhalant allergens was positively related to a high maternal intake of deep-frying vegetable fat (aOR: 1.61;95%CI: 1.02, 2.54), raw sweet pepper (aOR: 2.16; 95% CI: 1.20, 3.90), and citrus fruit (aOR: 1.72; 95% CI: 1.02, 2.92).

Conclusions: We suggest that the intake of allergenic foods and foods rich in n-6 polyunsaturated fatty acids during pregnancy may increase and foods rich in n-3 polyunsaturated fatty acids may decrease the risk of allergic diseases in the offspring.

Comentários:
Este estudo teve como objetivo analisar a associação entre a dieta materna durante as quatro últimas semanas de gestação e a sensibilização alérgica e eczema no filho aos 2 anos de idade.

Foram avaliados dados de 2641 crianças aos 2 anos de idade que participaram de um estudo prospectivo denominado LISA. A dieta materna durante as quatro últimas semanas de gestação foi avaliada por meio de questionário de freqüência alimentar semi-quantitativo, o qual foi aplicado logo após o parto. As crianças foram categorizadas em dois grupos (alta ou baixa ingestão alimentar materna) para cada variável do questionário, no intuito de estimar a relação entre dieta materna e manifestações alérgicas.

Os resultados demonstram que, aos 2 anos de idade, 17.7% das crianças já haviam apresentado eczema diagnosticado por médico, 9.3% estavam sensibilizadas para alérgenos alimentares e 4.8% para aeroalérgenos. Em relação aos alérgenos alimentares, houve maior sensibilização para leite (5.1%) e para ovo (5.4%). Quanto aos aeroalérgenos, houve maior sensibilização para pó (2.8%).

A dieta materna foi influenciada por fatores como área do estudo (localização), idade materna ao parto, fumo durante a gestação, grau de escolaridade dos pais e duração do aleitamento materno exclusivo.

Ao considerar os possíveis fatores de confusão, verificou-se que filhos de mães com alta ingestão de margarina [odds ratio ajustado (aOR): 1.49; IC95%: 1.08 - 2.04] e óleos vegetais (aOR: 1.48; IC95%: 1.14 - 1.91) durante a gestação apresentaram maior prevalência de eczema diagnosticado até os 2 anos de idade do que os filhos de mães com baixa ingestão destes alimentos. Alto consumo de peixe exerceu efeito protetor (aOR: 0.75; IC95%: 0.57 - 0.98). Sensibilização a alérgenos alimentares foi mais prevalente em crianças cujas mães apresentaram alta ingestão de aipo (aOR: 1.85; IC95%: 1.18 - 2.89) e frutas cítricas (aOR: 1.73; IC95%: 1.18 - 2.53) durante a gestação, enquanto as mães de crianças sensibilizadas a aeroalérgenos apresentaram alta ingestão de óleo para fritura (aOR: 1.61; IC95%: 1.02 - 2.54), pimentões crus (aOR: 2.16; IC95%: 1.20 - 3.90) e frutas cítricas (aOR: 1.72; IC95%: 1.02 - 2.92).

Foi analisada também a relação entre ingestão materna de laticínios durante a gestação e sensibilização do filho ao leite de vaca, verificando que as crianças cujas mães apresentavam alta ingestão de cremes (como "sour cream", chantilly, café com creme) tinham maior risco de sensibilização aos 2 anos (aOR; 1.62; IC 95%: 1.07 - 2.45). Não houve associação entre ingestão materna de ovo e sensibilização do filho ao ovo.

Apesar das limitações do estudo (possibilidade de classificação errada pelo questionário, influência da dieta da criança, agrupamento de alimentos em categorias no questionário), os resultados indicam que o consumo de alimentos alergênicos e alimentos ricos em ômega-6 durante a gestação podem aumentar o risco do filho em desenvolver doenças alérgicas. Em contra partida, o consumo de ômega-3 pode ser protetor contra alergias. Este é o primeiro estudo que descreve associação entre o consumo de aipo, frutas cítricas ou pimentão e sensibilização alérgica. Outros ensaios prospectivos são necessários para confirmar estas observações.


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