ENTERAL AND PARENTERAL NUTRITION IN TERMINALLY ILL CANCER PATIENTS: A REVIEW OF THE LITERATURE
Nutrição enteral e parenteral em pacientes com câncer terminal: uma revisão da literatura
Dy SM. Am J Hosp Palliat Care 2006; 23(5): 369-377
Abstract
Many terminally ill patients who are able to eat appear to be eating less than they should, losing weight, and becoming malnourished, and many others develop difficulties with eating. These symptoms and signs are usually a marker of advanced cancer, rather than the cause of decreasing functional status, and providing supplemental nutrition rarely changes the course of the disease. This article reviews evidence on issues relevant to enteral and parenteral nutrition in patients with advanced cancer, including benefits, risks, and discomforts; how these types of nutrition are used and perceived, and how decisions are made; and how decision-making might be improved.
Comentários:
Pacientes com câncer terminal apresentam perda de peso, diminuição do apetite e dificuldade para se alimentar. Algumas medidas como modificação da dieta, uso de suplementos e estimulantes do apetite podem levar ao aumento da ingestão alimentar, peso corporal e qualidade de vida, mas não modificam o prognóstico destes pacientes.
A nutrição oral deve ser mantida na maioria dos casos, entretanto a nutrição enteral e parenteral são tratamentos médicos e é eticamente permitido não oferecer estes tratamentos se os benefícios não superam os riscos para o paciente. Nos Estados Unidos, desde 1990 foi estabelecido o "Patient Self-Determination Act", que concede o direito ao paciente ou familiar em recusar nutrição ou qualquer outro tratamento de prolongamento de vida se o paciente for terminal.
Este artigo de revisão apresenta evidências relevantes em relação aos riscos e benefícios da nutrição enteral e parenteral para pacientes com câncer terminal, no intuito de auxiliar os profissionais de saúde no momento da decisão de oferecer ou não suporte nutricional.
A nutrição enteral e parenteral pode ser benéfica em um grupo selecionado de pacientes. Dois guias práticos, um francês e um canadense, podem auxiliar a determinar o tratamento de pacientes com câncer terminal. Em geral, recomenda-se o uso de nutrição parenteral somente nos pacientes com obstrução intestinal ou com outros problemas que impeçam a nutrição oral, com prognóstico maior do que um mês e índice de Karnofsky (índice que avalia a capacidade funcional e varia de 0 a 100%) maior do que 50%. O uso de guias práticos pode auxiliar a reduzir o uso exagerado da terapia nutricional quando esta não é indicada. Há poucos benefícios nos casos em que há perda de peso devido à caquexia, pois há aumento dos riscos (por exemplo, complicações por infecção, hiperglicemia, edema), desconforto e custo desnecessário.
Estudos qualitativos e quantitativos que avaliam o processo de decisão em relação à terapia nutricional demonstram que, muitas vezes, os pacientes ou familiares não entendem com clareza o prognóstico, riscos e benefícios do tratamento por não receberem informação suficiente e compreensível, o que dificulta a tomada de decisão apropriada.
Os pacientes com mau prognóstico ou em risco, que preferem não receber suporte nutricional podem ser mantidos apenas com fluidos ou nutrição oral mínima por semanas ou meses. A sonda pode ser utilizada apenas como medida de conforto, nos casos em que o paciente sente fome ou vontade de comer, mas apresenta dificuldade em se alimentar devido à dor, disfagia ou problemas do sistema nervoso central.
A alimentação é um elemento fundamental nas relações humanas e na cultura. Os profissionais de saúde devem discutir claramente e com sensibilidade a terapia nutricional, colocando seus riscos e benefícios para o paciente com câncer terminal ou aos seus familiares. Freqüentemente os familiares passam a aceitar o prognóstico reservado e a baixa ingestão alimentar, cabendo ao profissional de saúde proporcionar os cuidados para aumentar o conforto do paciente.
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