Atividades
Apoio ao Paciente
Centro de Estudos
Agenda
Nossa Equipe
Quem Atendemos
Atualização
Aulas Ministradas
Info aos Pacientes
Educação Continuada
Artigos Comentados
Guia Prático
Entrevistas
Notícias
Links Nacionais
Links Internacionais
Cadastro
Faça seu cadastro




Atualização > Artigos Comentados > Probióticos e alergia

PROBIÓTICOS E ALERGIA
Probiotics in the treatment of atopic eczema/dermatitis syndrome in infants: a double-blind placebo-controlled trial (Probióticos no tratamento da síndrome da dermatite atópica em lactentes: ensaio duplo cego placebo-controlado)
Viljanen M, Savilahti E, Haahtela T, Juntunen-Backman K, Korpela R, Poussa T, Tuure T et al. Allergy 2005; 60: 494-500.

RESUMO

Introdução:
Há indícios de que bactérias probióticas reduzem sintomas da síndrome da dermatite atópica em lactentes com alergia alimentar. Nosso objetivo foi investigar se as bactérias probióticas têm algum efeito benéfico na síndrome da dermatite atópica.

Métodos:
Seguimento da gravidade da síndrome da dermatite atópica pelo índice do escore de gravidade da dermatite atópica (SCORAD) em 230 lactentes com suspeita de alergia ao leite de vaca (ALV) recebendo, de modo randomizado duplo-cego, concomitante com dieta de eliminação e tratamento de pele, Lactobacillus GG (LGG), uma mistura de quatro cepas de probióticos, ou placebo por 4 semanas. Após quatro semanas de tratamento, ALV foi diagnosticada com teste de provocação oral duplo-cego placebo-controlado para leite em 120 lactentes.

Resultados:
Em todo o grupo, a média de SCORAD (no início 32,5) diminuiu para 65%, mas sem diferença entre o tratamento dos grupos imediatamente ou 4 semanas após o tratamento. Também não foram observadas diferenças no tratamento em lactentes com ALV. Nos lactentes sensibilizados por IgE, entretanto, o grupo LGG apresentou maior redução no SCORAD do que o grupo placebo, -26,1 vs -19,8 (P=0,036), do início até 4 semanas após o tratamento. A exclusão de lactentes que receberam antibióticos durante o estudo reforçou os resultados no subgrupo sensibilizado por IgE.

Conclusão:
Tratamento com LGG pode aliviar sintomas da síndrome da dermatite atópica em lactentes sensibilizados por IgE mas não em lactentes não sensibilizados por IgE.

Comentários:
Este estudo investigou se o uso de probióticos proporciona alívio dos sintomas em pacientes com síndrome da dermatite atópica. Foi realizado no Skin and Allergy Hospital do Helsinki University Central Hospital, na Finlândia.

Completaram o estudo 230 lactentes menores de 12 meses no início do estudo (idade: 1,4-11,9 meses, média: 6,4; 62% meninos), com sintomas sugestivos de ALV e obrigatoriamente sintomas da síndrome da dermatite atópica, sem uso regular de probióticos. O mesmo médico avaliou a gravidade da síndrome da dermatite atópica utilizando o SCORAD, em 5 visitas consecutivas, com intervalo de 1 mês entre as 3 primeiras e de 1 a 2 semanas entre as 2 últimas. Os pais foram instruídos a tratar as lesões eczematosas continuamente com emolientes e com hidrocortisona tópica (1%) quando necessário.

Foi realizado Skin Prick Test e CAP para alimentos, pêlo de animais ou bétula, para diagnóstico da síndrome da dermatite atópica Ig-E associada. Inicialmente foi retirado leite de vaca e derivados da dieta dos lactentes e lactantes, além de outros alimentos possivelmente relacionados aos sintomas. Todos os lactentes receberam fórmula extensivamente hidrolisada à base de soro de leite. Nas primeiras 4 semanas, os lactentes foram randomizados para receber um de três produtos, misturado com alimentos, 2 vezes por dia, de modo duplo-cego. O grupo LGG (n=80) recebeu L Rhamnosus GG (ATCC 53103), o grupo MIX (n=76) uma mistura de probióticos: LGG, L rhamnosus LC705, Bifidobacterium breve Bbi99 e Propionibacterium freudenreichii ssp. shermanii JS (Propionibacterium JS) e o grupo placebo (n=74) recebeu celulose microcristalina.

Observou-se melhora da síndrome da dermatite atópica em todos os grupos, sem diferença significante da primeira para a segunda visita. Entre a primeira e a terceira visita, houve diferença no SCORAD, entre o grupo LGG com síndrome da dermatite atópica associada à IgE e o placebo, ficando mais evidente com a exclusão de pacientes recebendo antibiótico, -38,4 vs -28,5 (P=0,008). Alergia a leite de vaca foi diagnosticada em 120 pacientes, sendo 45% IgE mediada. Houve aumento da contagem de lactobacilli nas fezes do grupo em uso de probióticos e diminuição no grupo placebo entre a primeira e a segunda visita.

A melhora dos sintomas da síndrome da dermatite atópica no grupo placebo pode ser atribuída à dieta de exclusão naqueles com ALV e à orientação quanto aos cuidados tópicos naqueles sem ALV. O diagnóstico de ALV previamente ao início do uso do probiótico e uma avaliação do uso de corticósteróides pré e pós intervenção permitiriam controle desses fatores e melhor avaliação do tratamento. Além disso, a randomização não foi bem sucedida, pois houve diferença no SCORAD entre os grupos, no início do estudo, o que pode ter influenciado os resultados. Os resultados sugerem que o uso do probiótico LGG beneficia os pacientes com síndrome da dermatite atópica IgE associada. Esses achados devem ser avaliados com cautela, sendo que outros estudos são necessários para avaliar a ação de diferentes cepas de bactérias, isoladamente, em diferentes doses e tempo de uso em pacientes alérgicos.

| voltar |



© Instituto Girassol. Todos os direitos reservados.